
Como tomar coragem para começar seu próprio negócio (em 3 passos)
O que fazer quando a única coisa que te separa da independência financeira é o medo de dar um salto de confiança?
Você fala disso em todos os almoços de família aos domingos: aquela sua vontade de largar o emprego e começar um negócio só seu. Nesse negócio, você usaria suas 8h diárias de trabalho para fazer alguma coisa que te empolga de verdade. Nesse negócio, você teria um monte de dias chatos – daqueles em que a melhor estratégia de produtividade é ficar no facebook dando scroll na timeline esperando que as coisas se resolvam sozinhas –, mas aí faria o trabalho pensando que tudo isso, depois, vai trazer retorno para você e não para um chefe aleatório que vai aproveitar as férias dele em Cancun enquanto você dá duro na firma.
Agora, a pergunta que talvez ninguém faça no almoço de domingo, mas que com certeza está implícita sempre que alguém manifesta esse tipo de desejo: “mas e o que você tá esperando?”
O que te impede de ter seu próprio negócio?
Bom, às vezes é a falta de uma boa ideia. Às vezes, é um monte de outras prioridades que ficam no topo da lista e não dão muito tempo para colocar uma boa ideia em prática. Mas às vezes, você tem a ideia e o timing. Aí bate aquele desespero e só o que falta é coragem. E se tudo der errado? Dar um salto de fé e ir (em movimento uniformemente variado) diretamente espatifar a cara no chão não parece um cenário legal, certo?
Ninguém cai de fuça no concreto em todas as tentativas. É bem possível que a maioria das pessoas que admiramos, hoje em dia, já tenha passado por momentos assim – sentindo esse mesmo medo e tirando a coragem necessária de algum lugar. Essa iniciativa para tentar (e continuar tentando) requer coragem e, ao mesmo tempo, é o que constrói a coragem no coraçãozinho de cada um de nós. Apesar de isso beirar um ciclo vicioso, é possível começar tentando e, aos poucos, adquirir cada vez mais coragem para dar passos maiores.
Muito dessa falta de coragem, inclusive, é fruto dos padrões de trabalho atuais – essa coisa de trabalhar bem e, mesmo assim, receber feedback negativo; ou ver que tem gente que mal trabalha e sequer recebe feedback. Então, é bem possível que a falta de coragem para dar um novo rumo à sua carreira seja fruto, justamente, dos padrões do seu trabalho atual. Ardiloso, né?
Nesse artigo do 99u, que cita um livro chamado The Confidence Gap, Meg Duffy explora três passos necessários para superar o medo de se arriscar na sua carreira.
1. Definir claramente seus valores e objetivos
É o que sempre dizemos, por aqui, quando falamos de lojas virtuais: “Cê quer vender online, é, fera? Mas quer vender o que e para quem??” Fica um pouco mais difícil alcançar um objetivo que você não sabe direito qual é. Taí Lewis Carroll que não nos deixa mentir, em seu Alice no País das Maravilhas, naquele diálogo: “– Você pode dizer que caminho eu devo seguir? – Bem, isso depende muito de onde você quer chegar”.
No processo de construção de autoconfiança, é essencial fazer listas de metas e roadmaps pessoais. É mais ou menos aquela história de pensar em “onde você se imagina daqui a cinco anos”, por mais clichê que isso possa soar. Às vezes, esse é um processo um pouco doloroso, porque nos faz pensar demais em onde estamos e a autocrítica pode ser um pouco cruel. No entanto, é assim mesmo que começa.
O próximo passo, depois de visualizar seus maiores sonhos, é quebrá-los (calma) em pequenas tarefas (ufa) que, combinadas, vão te ajudar a chegar lá. Seja escrever um email para alguém que você admira, fazer uma aula online, ver um tutorial no youtube ou procurar lojas virtuais que sirvam de referência para a sua, qualquer pequena tarefa já é válida. Sem contar que você pode estabelecer datas e manter um cronograma para o Programa Realizando Meus Sonhos (disciplina é isso aí, né?).
2. Arriscar-se (como um exercício)
Depois que você estabeleceu o caminho que vai seguir, é hora de dar um passo de cada vez. Sair da sua zona de conforto normalmente envolve arriscar-se um pouco – até porque você pode desconfiar, mas nunca sabe exatamente o que te espera do outro lado quando dá um grande salto. No entanto, correr riscos também pode se tornar um exercício constante, já que com a prática regular de pequenas “loucuras” que você não cometeria normalmente, fica mais fácil eliminar os obstáculos mais sérios e tornar-se, cada vez mais, uma pessoa corajosa.
É aquela velha história de encarar desafios não como impeditivos para que você continue seguindo em frente, mas como catalisadores – normalmente, são chances bem boas de aumentar as habilidades e ter chances reais de ser uma pessoa bem-sucedida quando tudo passar. Afinal de contas, qual a pior coisa que pode acontecer se você arriscar-se abrindo seu próprio negócio? (se você arriscar-se pulando de uma ponte sem paraquedas, a pior coisa que pode acontecer é algo realmente sério mas, por sorte, isso não é um requisito para empreender). Rejeição e um pouquinho de vergonha? Dinheiro perdido, tempo desperdiçado? Nenhuma dessas possibilidades é motivo para sair do jogo antes que ele comece.
Para correr riscos, você precisa criar oportunidades. Isso inclui, na maioria das vezes, dar tiros no escuro, mandando emails para pessoas que você admira e acha que nunca falariam com você (sim, vale escrever pro Tony Ramos) ou mandar currículos para o emprego dos seus sonhos, mesmo que você não ache que tem todas as qualificações. Em suma: ser um pouco cara de pau de vez em quando abre várias portas. E esse processo é naturalmente desconfortável – quando você analisa uma oportunidade e sua resposta é “não sei” ou “tenho medo”, inclusive, é um bom sinal de que é algo que pode ser feito como um exercício-de-tomar-coragem.
3. Conseguir ajuda e mentoria
Às vezes, o Programa Realizando Meu Sonho torna-se um pouco solitário. Mas isso não quer dizer que você precise ficar sozinho o processo inteiro. Primeiro porque as pessoas podem compartilhar sonhos – e, quanto mais gente você reúne em torno de uma causa, mais divertido fica o processo e mais rápido vocês todos chegam lá. Segundo, porque mesmo que você seja dessas pessoas que preferem trabalhar sozinhas, é muito mais fácil aprender com os erros de alguém do que ter que repetir todos eles, num desperdício enorme de tempo e esforço, para chegar a lugares parecidos.
É aí que entra o poder da mentoria. E, no mundo dos negócios, isso é tão comum que foi até institucionalizado, com os programas de aceleração badaladíssimos no mundo das start-ups. No caso da sua loja virtual, além dos vários cursos (a maioria gratuitos, alguns inclusive online) do Sebrae voltados para quem quer abrir o próprio negócio, é possível encontrar mentores dispostos a ajudar dentro do seu próprio nicho. Basta pensar em lojas parecidas com a que você quer ter e (na medida do possível) pedir dicas e ajudas para a concorrência. Se organizar direitinho, todo mundo vende e lucra junto, então não deveria haver motivo para ficar ~guardando segredos~.
Além disso, você pode procurar feiras e workshops da área para fazer aquele networking. Mesmo fora da área ou da natureza do seu negócio, há empreendedores em todos os lugares para quem você pode pedir dicas – inclusive aquele seu Joaquim da venda da esquina, que tem um negócio há mais de 18 anos e deve saber bem o que é preciso fazer no comércio. Ser empreendedor requer muita coragem, mas ninguém nasce corajoso. Você pode tornar-se – e com a ajuda de várias pessoas.